Notícias

13 de junho | 13:53

A mineração e sua cadeia de fornecedores sobrevivem à crise da pandemia

“A cadeia de fornecedores da mineração e a pandemia” foi objeto de discussão numa webinar organizada pela Revista Brasil Mineral, realizada no dia 10 de junho. O evento teve como convidado João Luiz de Carvalho (Geosol e vice-presidente da ABPM), além de Marcelo Motti (Metso Brasil), Rodrigo Oliveira (CSCM da Abimaq e Semco), Jorge Davo (BASF) e Porfírio Cabaleiro (GE-21), sob a mediação do editor de Brasil Mineral, Francisco Alves.

No geral, o tom da discussão abordou como a mineração e seus fornecedores tem conseguido resistir aos impactos da pandemia. Para os participantes da live, o fato da mineração ter sido considerada com setor essencial ajudou, o qual resultou de uma ação do COMIN/CNI, com o destacado apoio da ABPM, perante o MME.

Empresas atuantes no setor e na cadeia de suprimentos da mineração estão empreendendo diversas ações para enfrentar a crise do Covid-19 e, ainda, continuarem atendendo às demandas dos seus clientes. Mesmo durante a pandemia, as mineradoras têm mantido suas operações, em função do decreto governamental que considerou a atividade de mineração como essencial, e, assim, continuaram demandando dos fornecedores.

Nas discussões, foi ressaltado que, com a crise, as empresas tiveram que se reinventar. Problemas na logística de fornecimento com dificuldade de importação, sobretudo dificuldade transporte da China são agravados com o câmbio do Dólar apreciado. Garantir a continuidade das operações tem sido um desafio em um cenário em que a incerteza traz muita insegurança. Houve relatos de inadimplência e dificuldade de obtenção de crédito, mas percebe-se que a mineração não foi dos setores mais agravados.

Dias antes da crise, havia um processo de crescimento do setor, com cenário de implementação de recursos de mineração 4.0. Também, estava sendo iniciada uma transformação muito rápida na indústria de bens de capital. Devido à crise, ocorreu uma revoada dos investidores para países de custos mais competitivos. Houve impactos diferenciados sentidos em cada país, mas, apesar da fuga de capitais, aqui no Brasil, o mercado de mineração penou menos.

João Luiz de Carvalho, da Geosol e vice-presidente da ABPM, destacou que tem acompanhado a atividades de norte a sul e que constata que o segmento que mais  foi afetado foi de serviços. Para ele, há um gargalo na mobilidade imposto pelo “novo normal”. Para citar um exemplo da cadeia de logística, João Luiz comentou que “a malha aeroviária reduziu-se 92%. Para suprir as necessidades, buscou-se alternativas para manter a cadeia de suprimentos, nesse cenário em que as malhas regulares foram substituídas por formas alternativas”. João Luiz ressaltou que na sua empresa houve uma redução de 30% nas operações e que, na pandemia, há a necessidade de se manter as equipes em quarentena no retorno de suas casas após as folgas. 

Também afirmou que teve que definir parâmetros para avaliar os protocolos sobre como operar nas novas condições para fazer a engrenagem continuaria rodando. Ressaltou a importância das lideranças, com ideias e possibilidades e o fenômeno dos líderes situacionais formados e emergidos dessa situação.

Na webinar, ficou claro que no caso das empresas do ramo de consultoria, houve um pequeno impacto em termos de negócio, mas grande na adequação do time  As empresas desse segmento atuaram em home office, sobretudo os grupos de risco, mantendo-se apenas um pequeno grupo no escritório. As reuniões tem sido virtuais e, mesmo quando há a necessidade de acontecerem presencialmente, são mantidos os afastamentos, embora ocorram, eventualmente, alguns deslocamentos  realizados para atender a clientela.

Segundo os Marcelo Motti, “de fato, na mineração em si, não houve retração de volume, pelo contrário, houve aumento na demanda por mão de obra, por novas tecnologias e uso de monitoramento remoto”. Tal como não houve maior impacto da pandemia na mineração, também não foram verificados adiamentos de pedidos e os projetos de cunho estratégicos foram tocados a todo vapor. Segundo Rodrigo Oliveira, “empresas que investiram em inovação e já tinham tecnologia para determinadas soluções cresceram no período”.

Outro ponto discutido foi relativo ao apoio das mineradoras a seus fornecedores. 

Jorge Davo destaca que “o atendimento aos clientes é fundamental”. Nesse caso, algumas empresas foram mais flexíveis, liberando ajuda de adiantamento financeiro para capital de giro como antecipação de recebíveis. Ações preventivas foram adotadas, muitas vezes, dentro de um plano global para enfrentamento da pandemia, neste caso, identificando-se riscos na cadeia previamente, para se garantir a continuidade das operações.

Mesmo com as minas em operação, o atendimento local por fornecedores e prestadores de serviços tem sido dificultado devido às restrições de transporte e deslocamento. Para João Luiz, “transporte aéreo quase que paralisou, trazendo dificuldades para a atender o cliente. Chegar nas portas de uma empresa de mineração tornou-se um grande desafio”.

Outro fato importante que foi destacado é que as mineradoras estão em locais com infraestrutura de rede precária para trafegar informações pesadas, com taxas de transferência de imagem muito lentas. Para Porfírio Cabaleiro, “isto é, sem dúvidas, um processo de aprendizado que demanda  redefinição de rede e novas formas de trabalho que podem redefinir padrões de produtividade”. 

A pandemia revelou a necessidade de um uso maior de novas tecnologias. “A onda deu uma chacoalha nas pessoas e no financeiro das empresas. Tivemos que nos readaptar com reuniões virtuais e proibindo viagens não prioritárias. No campo, temos dificuldade de sinal e teremos que mudar essas condições”, afirmou João Luiz.

Rodrigo Oliveira destacou que “há a necessidade de diminuição da dependência de componentes importados. Mais isso tem seus limites. O custo Brasil ainda é alto e significativo representando 20% a mais, o que compromete a competitividade. Entretanto, a lógica de se buscar o mais barato em qualquer lugar no mundo vai dar lugar lógica da garantia de suprimento. Ou seja, há uma tendência de diminuir a globalização e aumentar a localização”.

Segundo Rodrigo Oliveira, com o novo ciclo da mineração em que as commodities estão recuperando preços, vai haver maior investimento em manutenção e controle. “Deve-se globalizar sem se tornar dependente, encontrando-se um ponto de equilíbrio. Que é preciso uma reforma tributária no Brasil para termos maior competitividade", ponderou Oliveira.

Por fim, foi ressaltado que a mineração se portou bem na crise em ações pró-sociedade, o que contribui significativamente para a melhoria da imagem do setor perante a opinião pública.

Dúvidas ou sugestões
Estamos a disposição, caso tenha alguma dúvida ou sugestão, sinta se a vontade em entrar em contato conosco através dos contatos abaixo:
Fone: (61) 35477645
E-mail: abpm@abpm.net.br / secretaria_exec@abpm.net.br