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13 de junho | 22:00

ABDI quer posicionar Brasil como um player global da Indústria de mineração

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) tem trabalhado em várias frentes com o objetivo de posicionar o Brasil como um grande player da indústria de mineração. Segundo Miguel Nery, diretor de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico da entidade, a primeira frente foi o lançamento do Inova Mineral, conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que foi uma iniciativa decorrente da agenda da política industrial, na época coordenada pela ABDI.

“Uma segunda frente se dá por meio da atividade de um Grupo de trabalho articulado com a [B]3 (antiga Bovespa) em que contamos com as parcerias da própria ABPM, da CBRR, da ADIMB e do BNDES, visando a criação de condições para que a mineração possa acessar o mercado de capitais e ter nele uma fonte robusta de financiamento para os projetos de exploração e aproveitamento de reservas minerais. Estamos estimulando a listagem das primeiras empresas e esperamos concluir tais listagens no menor prazo possível, inclusive com a possibilidade de terem suas reserves minerais certificadas reconhecidas como ativo”, declarou, em entrevista exclusiva à Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM).

De acordo com Nery, outra frente diz respeito à possibilidade de criação de incentivos a atividade de pesquisa mineral, no sentido de atrair investidores e de se elevar os dispêndios das empresas de exploração mineral visando a descoberta de novas jazidas.

“Um outro trabalho que temos desenvolvido é a elaboração de um catálogo eletrônico de fornecedores para a mineração (catálogo minero-peças), com o objetivo de estimularmos a competitividade das empresas de bens e serviços instaladas no país. E, por fim, temos conduzido ações no âmbito do governo ações voltadas para integração das cadeias produtivas de minerais estratégicos a exemplo de terras raras e lítio, dentre outros”, afirmou.

Questionado sobre a obtenção de melhor desempenho por parte das empresas de mineração no Brasil, Nery disse que uma melhor avaliação da jazida favorecerá o melhor aproveitamento econômico com ganhos na recuperação de lavra e no beneficiamento e com redução dos custos operacionais.

 Entre os principais obstáculos que o setor de mineração enfrenta estão, segundo o diretor de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico da ABDI, a inexistência de um ambiente de negócios bem como de incentivos à atividade de pesquisa mineral, que reduzem a atratividade de investimentos voltados à descoberta de novas jazidas; a excessiva carga burocrática constante da legislação minerária e ambiental, que impede que os processos de direto minerários e de licenças ambientais tramitem com maior celeridade e a conceituação obsoleta de recursos e reservas minerais na legislação, que dificulta a melhor gestão informatizada por parte do órgão regulador.

Também é apontado por ele como problema do setor a inexistência de uma legislação que considere o direito minerário como garantia real, para que as empresas possam contrair financiamento para seus projetos, reduzindo o risco do agente financeiro com a possibilidade de execução extrajudicial.

No que diz respeito ao fato de o Brasil não ter entregue ao mercado grandes descobertas no setor de mineração, além da demora no desenvolvimento para que os projetos do setor entrem em produção, Nery disse que inexiste, no país, um ambiente de negócios que possibilite uma  maior atratividade para investidores no setor mineral , tanto na pesquisa mineral quanto na lavra, com um mercado de capitais robusto e confiável, com incentivos governamentais para investimentos na fase de risco geológico e tecnológico e que tenha uma legislação mineral e ambiental simplificada.

Segundo ele, no Canadá, várias medidas foram adotadas, desde incentivos fiscais, fortalecimento do mercado de capitais via bolsa de valores, desburocratização da gestão, que permitiram que aquele país saísse de 9% e atraísse cerca de 22% dos investimentos globais em pesquisa mineral a cada ano. No Brasil, historicamente, só conseguimos atrair 3% de todo investimento global, independentemente das condições o mercado.

  "Superado o risco geológico com um melhor controle da mineralização, as empresas devem buscar investir em tecnologia, seja adquirindo equipamentos mais eficientes seja investindo em pesquisa e desenvolvimento e inovação, o que normalmente é feito em parceria com fornecedores, no sentido de se obter ganhos de produtividade e, por conseguinte, uma maior competitividade frente aos concorrentes”, declarou.

“É importante que tenhamos uma cadeia de fornecedores competitiva, que possa oferecer seus bens e serviços a preço justo, com prazo de entrega adequado e qualidade de seus produtos compatíveis com o padrão internacional”, afirmou.
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