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30 de setembro | 13:22

ABPM participa de evento sobre financiamento e acesso do setor mineral ao mercado de capitais.

A Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) participou, nesta terça-feira (29), de evento do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e do Ministério de Minas e Energia (MME), "Mineração: Financiamento e Acesso ao Mercado de Capitais". O seminário reuniu especialistas do setor mineral, financeiro e representantes do Canadá e do Reino Unido.

 

No painel “Regulação e Financiamento", o presidente da ABPM Luís Maurício Azevedo deu destaque à importância de pessoas físicas como acionistas das empresas de mineração como ocorre em outros países. “A partir do momento em que as ações das mineradoras passarem a gerar lucro, a imagem do setor vai melhorar, porque são pessoas que, mesmo distante geograficamente dos empreendimentos, observam os benefícios diretos proporcionados na forma de lucratividade”, observou. Ele sugeriu que o Brasil financie as pequenas empresas de pesquisa mineral, as chamadas junior companies, a fim de expandir o conhecimento geológico, como já fizeram Canadá e Austrália.

 

Azevedo também acredita que o esforço básico está em trabalhar nos fundamentos. “Prestigiar as iniciativas feitas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) de digitalizar processos, reduzir burocracias e implementar processos de garantia de títulos minerários”, apontou. O presidente ressaltou que, sem o trabalho conjunto das esferas estaduais e federal para resolver a questão dos licenciamentos ambientais, o investimento no setor mineral brasileiro vai continuar não atrativo e dispendioso.

 

Viabilidade financeira de novos projetos minerários

 

A abertura do evento ficou a cargo do Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM/MME), Alexandre Vidigal; do presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Wilson Brumer; e da Secretária Executiva do MME, Marisete Pereira.

 

Alexandre Vidigal agradeceu o apoio, o reconhecimento e o incentivo que o setor mineral tem dado aos trabalhos feitos pela Secretaria. "Sabemos da dificuldade que as empresas do Brasil tem em captar recursos em bolsas e em centros financeiros, do ponto de vista de lançamentos da abertura de capitais. Temos modelos muito avançados, como a bolsa de Toronto. O trabalho desta manhã é fruto do amadurecimento dessa abordagem de melhorias internamente" afirmou.

 

Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM/MME), Alexandre Vidigal,

responsável pela coordenação do PMD

 

O secretário também ressaltou que confiança e credibilidade são essenciais para que a relação entre investidor e captador seja plenamente efetiva. Ele acrescentou que o Programa Mineração e Desenvolvimento, lançado ontem (28/9) pelo Governo Federal, vai permitir a construção de um modelo de mineração moderna no Brasil.

 

Wilson Brumer enfatizou o enorme potencial ainda a ser desenvolvido que o setor mineral tem, reafirmando que o IBRAM está à disposição para ampliar as pesquisas minerais no país. "Cabe aqui o registro do trabalho enorme e fantástico da ANM e do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), liberando centenas de áreas para pesquisas e permitindo que possamos hoje prever um aumento de investimentos no setor mineral de cerca de US$ 40 bi para os próximos 4 ou 5 anos", afirmou. Para o presidente, o evento permitiu o conhecimento de mecanismos financeiros importantes para os investimentos, não só para pesquisa, mas para que as médias empresas, principalmente, possam ter acesso a esse mercado e a novas alternativas de financiamento para ampliação de projetos e operações.

 

Brumer relembrou que o IBRAM assinou recentemente um o acordo de cooperação com as bolsas de valores do Canadá (TSX e TSX Venture Exchange) para ampliar os investimentos, sobretudo em pesquisas, ressaltando que esse memorando pode, e deve, ser ampliado, para que as empresas médias possam ter acesso ao mercado de capitais. “Precisamos sair um pouco do tradicional mecanismo de financiamento, apenas via sistema financeiro por empréstimos, e cada vez mais atrair também investidores, nacionais e internacionais, para o crescimento da atividade mineral no Brasil”, frisou.

 

Para Marisete Pereira, é fundamental discutir novas formas de viabilizar financeiramente projetos de mineração no país. “É primordial que a mineração seja incluída como atividade beneficiária de recursos captados em bolsa, como já ocorre em outros países e outros setores de grande relevância para nossa economia”, afirmou. Segundo a secretária executiva, incluir a indústria mineral na cultura de captação de recursos no mercado financeiro nacional poderá elevá-la a um patamar de desenvolvimento do Brasil. “Um dos objetivos das políticas setoriais em curso sob o comando do MME é dinamizar o setor mineral brasileiro, promovendo a ampliação dos players e a diversificação da matriz mineral”, pontuou. 

 

Pereira destacou a importância que setores conduzidos pela pasta terão para a retomada da economia nacional em um momento pós-pandemia. “Os indicadores econômicos mais recentes apontam para o papel de destaque que o setor mineral vem exercendo, com reflexo do desempenho dos setores siderúrgicos e de construção civil, sem deixar de mencionar o comércio exterior”, elencou.

 

China em cenários futuros de investimentos 

 

Representando a XP Investimentos, Fernando Ferreira, estrategista e chefe pesquisa, e Yuri Pereira,  analista de pesquisa, afirmaram que os próximos cenários para investimentos na mineração são altamente promissores. Pereira apontou alguns metais para materializar essa visão mais otimista, mas ressaltou que os minérios com previsão de alta de investimentos não se restringem apenas aos exemplos. 

 

O analista citou ouro, níquel, minério de ferro e cobre. Sobre o ouro, o analista afirmou que é visto como ativo defensivo monetário e há investimento por conta da busca por segurança. “Quando há maior risco, a busca por ouro cresce. E este ano não foi diferente”, explicou. Para ele, os incentivos monetários e a injeção de dinheiro na economia, feitos pelos governos dos países neste cenário de crise, também favorecem a compra de ouro. “No médio e longo prazo, não só o ouro, mas diversas classes de ativos reais devem passar por nova precificação”, continuou.

 

O níquel, de acordo com Pereira, continua tendo no ácido inoxidável seu maior mercado, mas há outro campo, com crescimento mais rápido, que, segundo o analista, até alguns anos atrás era insignificante — as baterias de íons de lítio. “A demanda global explodiu e mais do que triplicou de 2018 para 2025. A Tesla anunciou que vai passar a produzir baterias sem cobalto, o que seria um impulso ainda maior para o níquel, o principal candidato para a substituição”, apostou. Pereira destacou que a Vale também é um grande produtor do minério. “É importante ressaltar que o níquel extraído pela Vale tem qualidade maior, que atende também outros requisitos, não necessariamente os das baterias elétricas atuais. Mesmo para o níquel de menor qualidade na mineração há oportunidades para investimento, na nossa visão”, completou.

 

Para o minério de ferro, a aposta vem da urbanização da China, ainda considerada baixa (cerca de 70%, segundo Pereira). O governo chinês, portanto, ainda teria muito espaço para investimentos, tanto imobiliário quanto no setor de infraestrutura. “Nos últimos 2 anos, tem havido uma onda de incentivos muito forte por parte do governo chinês em face à guerra comercial”, argumentou. “Mesmo em um cenário de guerra comercial atenuada, o governo vai continuar fazendo investimentos”, explicou. 

 

Além do aspecto econômico, o analista destacou a poluição na China e a concentração de produção em algumas siderúrgicas maiores e mais eficientes. “O espectro de produtos possíveis foi muito ampliado para atender à demanda da siderurgia de acordo com o período: se o ar está mais ou menos poluído ou se o setor está com margens maiores para gastar em minérios de maior qualidade”, argumentou. 

 

Em relação ao cobre, Pereira afirmou que a perspectiva é muito positiva, em termos de preço, porque as barreiras para entrantes estão muito baixas. “A concentração de cobre por tonelada extraída de minério vem caindo desde 2001. Essa exaustão das minas acontece e os investimentos recentes não foram suficientes para cobri-la”, explanou. De acordo com o analista, a longo prazo, o mercado continua desbalanceado, já que uma retomada econômica mundial poderia fazer com os preços do cobre subissem fortemente. 

 

Para Fernando Ferreira, o cenário global será positivo por três motivos: a volta à normalidade, cada vez mais próxima; os estímulos econômicos por conta da pandemia; a recuperação econômica; e a baixa taxa de juros, a menor em 100 anos, de acordo com o chefe da XP. “Até agora, US$ 20 trilhões de pacotes monetários e fiscais foram anunciados no mundo todo, o que representa 23% do PIB global”, expôs. De acordo com Ferreira, os dados na China, na Europa, nos EUA e no Brasil são positivos, já que mostram recuperação mais rápida do que a prevista, em formato de V. 

 

Ferreira argumentou que mercados de capitais voltaram a ser abertos. “Neste ano, há recordes de aberturas de capital. O mercado voltou mais forte e mais rápido que o esperado. No Brasil, ainda há poucas empresas listadas na bolsa, menos de 500. Nos EUA e na Inglaterra são mais de 4 mil”, exemplificou. 

 

Em relação aos motivos específicos do setor mineral para dias com perspectivas positivas, Ferreira citou três fatores. O primeiro é que as preocupações fiscais no país vem levando a uma forte queda do real frente ao dólar e outras moedas. “Todos os setores exportadores se beneficiam desse cenário, nosso custo fica mais competitivo”, explicou. O segundo fator está na retomada da economia chinesa, mais rápida que o resto do mundo. “A China continua sendo o maior motor para o setor mineral, a maior draga de demanda, via investimentos em infraestrutura”, ressaltou. 

 

Por fim, o terceiro aspecto está no impacto que a grande emissão de dinheiro feita pelos bancos centrais terá no longo prazo. “As pessoas começam a duvidar do valor das moedas emitidas. Ativos reais, incluindo commodities, ganham valor, e são justamente aqueles que os governos não conseguem imprimir, como ouro, prata e outros metais”, listou. 

 

Projetos em bolsas internacionais

 

O diretor-presidente do IBRAM, Flávio Penido, citou novamente o acordo de cooperação com as bolsas do Canadá feito pelo instituto para abrir as quantias de investidores, canadenses e de outros países, a fim de apoiar projetos de pesquisa geológica no Brasil. Ele destacou que há 36 projetos brasileiros na bolsa de valores no Canadá, totalizando US$ 121 milhões. 

 

Para Penido, é importante estreitar os laços com outros países para a abertura de mais oportunidades de ofertas de capital. “Já estamos em contato com a embaixada da Austrália para fazer algo semelhante com o mercado de capitais daquele país, um dos líderes em mineração internacional”, afirmou. 

 

Guillaume Légaré, responsável pela divisão da América do Sul da Toronto Stock Exchange, explicou que o mercado de capitais no Canadá considera a qualidade do ativo e os relatórios geológicos técnicos específicos para comprovar as reservas minerais. O nível de experiência da equipe de governança e a capacidade de desenvolver projetos com eficiência também são destaques positivos. As duas bolsas de Toronto — TSX e TSX Venture Exchange — contabilizam 3.200 empresas listadas, de acordo com Légaré.

 

Foco em atitudes sustentáveis 

 

Os analistas da XP frisaram a importância que a sustentabilidade tem exercido ultimamente no mercado de capitais. “É importante prestar atenção no ESD — parte ambiental, social e governança. É uma realidade que veio para ficar no mercado. Mais de US$ 5 trilhões já foram investidos em empresas bem colocadas nos escores ambientais. O setor mineral precisa prestar atenção nisso, porque tem sido um dos primeiros filtros de investimentos”, concluiu. 

 

Marco Antonio Fujihara, especialista em finanças sustentáveis, afirmou é imprescindível que as mineradoras gerem indicadores dos impactos de suas atividades, que sejam claros e acessíveis aos investidores e gestores de fundos de investimento. Ele citou que o inventário de emissões, um dado quantitativo, pode ser transformado pelas empresas em um dado financeiro e inserido no balanço contábil como ativo ambiental, para dar robustez à avaliação do mercado.

 

Marisete Pereira, secretária executiva do MME, também ressaltou que os investimentos estão sendo cada vez mais guiados pelas mudanças climáticas — que incluem a transição energética e a busca pela neutralização de carbono — para colocar os setores de energia em linha com a sustentabilidade ambiental, social e de governança. “Assim, a inserção da mineração em cenários de captação de recursos em bolsa nacional poderá ampliar de modo substancial o desenvolvimento alinhado com os compromissos de sustentabilidade socioambiental, de ética e de transparência do setor, em resposta às exigências dos investidores do mercado de capitais”, finalizou.

 

 

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