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29 de maio | 18:42

Live “Vem Pra Minas” discute o setor de fertilizantes

O Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI), agência que tem como missão a promoção e a atração de investimento por meio apoio às empresas instaladas e a promoção das exportações de Minas Gerais, realizou na terça-feira (26) uma webinar com o propósito de discutir o setor de fertilizantes naquele estado. 

O evento virtual foi moderado por João Paulo Braga, diretor daquela instituição. Participaram da live Antonio Josino Meireles, diretor de Relações Governamentais da Mosaic; Leonardo Silva, vice presidente de Produção da Yara; Luís Maurício Azevedo, diretor executivo da Harvest e presidente da ABPM; Christiano Veloso, CEO da Verde - Agritec; Bernardo Silva, presidente do Sinprifert, além do prefeito de Uberaba, Paulo Piau.

Segundo João Paulo, a live realizada pelo INDI visou mostrar que o estado Minas é fácil para se fazer negócio e que está aberto ao diálogo para construir condições para melhorar a competitividade e a atratividade de investimentos. Nessa linha, ele indagou aos debatedores como é a experiência em se fazer negócio em Minas Gerais. Como é o ambiente de negócios em Minas? E quais as operações que cada empresa possui em Minas?

Após a sua breve introdução sobre o papel do INDI nas ações de desenvolvimento no estado, a palavra foi passada para o representante da Yara, Leonardo Silva que comentou que a empresa tem uma atuação global e que 1/3 dos seus negócios estão no Brasil. Em 2017, foi obtida a  licença de operação para a sua planta que possui um processo industrial complexo com escala de produção de 15.000 toneladas de fertilizante. A planta é destinada a atender o setor agropecuário dos estados de Minas, Goiás e Mato Grosso. Para Leonardo Silva, é muito positivo estar em Minas, em que o governo do estado é parceiro, assim como as prefeituras e o INDI também.

Antonio Josino Meireles, diretor de Relações Governamentais da Mosaic, comentou a presença estratégica da empresa em Minas que conta com mais de 6.000 trabalhadores no Brasil. A Mosaic possui minas de fosfato e potássio em Minas Gerais, além da produção de Fertilizantes em Uberaba e Araxá. São fertilizantes fosfatados e fertilizantes potássicos e reafirma a importância de Minas Gerais na produção nacional. A empresa gera mais de 4.000 empregos indiretos. Segundo Meireles, há uma relação positiva com diálogo aberto e transparente não só com o INDI, assim como com a área ambiental. “O resultado tem sido muito positivo”, disse.

O prefeito de Uberaba, Paulo Piau, comentou que depois da pandemia percebemos que não podemos ser tão dependentes de outros países. Temos que ter uma relação externa, sim, mas precisamos reduzir a nossa dependência. Uberaba representa a maior produção industrial de fosfatados no país. Ele destacou que foi inaugurada no governo do presidente Lula e o vice-presidente saudoso José Alencar.  Estamos no epicentro do consumo de fertilizantes do Brasil. Com logística de distribuição. Gás nitrogenado. Perspectiva grande de fortalecer a indústria setorial. Dialogar com os players. Temos que garantir alimentos para toda a população. Fábrica de nitrogenados.

Christiano Veloso, CEO da Verde - Agritec, afirmou que a empresa investiu 100.000.000 em tecnologia, desenvolvendo um processo limpo em que não se tem barragem. Área da mina era um pasto degradado, onde ocorre o potássio, sendo a operação é uma mina muito grande a tecnologia adotou o processo de ativação mecânica, desenvolvida pela Universidade de Cambridge e o produto conta com os três macronutrientes (NPK). O potássio é o bem mineral que o Brasil é mais dependente. 

“Dependemos de importação de Rússia e Canadá, que controlam 80% do mercado mundial de potássio. Dependemos da boa vontade desses dois países”, comentou Veloso. Para ele, essa crise nos fez pensar em uma nova geopolítica e o item fertilizante tem que ser melhor discutido. Considera que der um problema do suprimento, haverá tem impacto direto na produção de alimentos em geral. Segundo Veloso, o ambiente de negócios em Minas é muito bom, mesmo com um orçamento deficitário, o governo tem conseguido fortalecer o estado. “A equipe do governo é comprometida e brilhante”, finalizou.

Luís Azevedo, diretor da Harvest Minerals, comentou que é uma empresa de capital aberto que produz bens minerais de fosfato e potássio, e que no Brasil chama-se Triunfo Mineração. Comentou que em 2015 conheceu um geólogo de um projeto de mineração e o acompanhou para ver o projeto. Ao chegar na área, deparou-se com uma terra degradada. Que, apesar disso, decidiu adquirir o projeto. Em 2016, adquirimos. Existem 16 milhões de toneladas cubadas polo Código Jorc sendo a escala da ordem de produção de 100.000 toneladas. E vida útil prevista é de 20 podendo chegar a 40 anos. 

Segundo Luis Azevedo, “temos uma rocha que só há três iguais no mundo”. Esse minério empresta quatro nutrientes, incluindo fosfato e no processo não se usa usa água, e, portanto, não há geração de resíduos. Foram efetuados 4 testes para se chegar ao processo final. 

Luís Azevedo considera que “a cada dia, o minério nos surpreende. Investimos 30 milhões de reais na fábrica, mais 5 milhões de reais em ampliação e 10 milhões em PD&I. É um conceito diferente. “Não vamos conseguir resolver o problema dos fertilizantes no país. Somos apenas uma alternativa. Minas é Minas. Só tenho a agradecer ao governo. Não vamos substituir a fertilização tradicionais. Somos uma alternativa para alimentos orgânicos”, concluiu Azevedo.

Bernardo Silva, presidente do Sinprifert, afirmou que o Sindicato dos Produtores representa, hoje, o centro da produção nacional de fertilizantes. Que o Sindicato foi fundado em 1954 é é muito reconhecido. A maioria dos produtores entregam fertilizantes fosfatados, potássicos e nitrogenados. Além da representatividade em termos de empresas, temos uma representação no contexto econômico geral, com 6% do PIB do agronegócio. Em termos de empregos, temos entre os representados cerca de 30.000 empregos diretos e indiretos.  Como vemos minas, algumas premissas são importantes como se faz atração de investimentos. O que se vê no passado como boas práticas é o reconhecimento da vocação do país ou do estado, e neste caso, de Minas Gerais sabe o que fazer com essa vocação.

Para ele, o estado sabe dialogar com empresas e possui uma interface fluida e aberta com lideranças colocando em prática essa interação. “Não basta ter vocação e liderança. Tem que ter um ambiente institucional e legal que traduza isto em investimento”, observou Bernardo. 

Segundo o presidente do Sinprifert, Minas Gerais é o estado prioritário e atrai o maior número de investimento. Na crise da pandemia, foi possível a perceber como Minas buscou definir um ambiente seguro e estável. O decreto estadual estabeleceu a mineração como prioritária com o apoio de toda a equipe de governo e dos prefeitos. “Agradecemos ao prefeito Piau”, destacou Bernardo.

Continuando, ele falou que o apoio do governo federal tem sido determinante em um estado que sabe o que quer para assegurar um ambiente de investimentos atrativo e seguro. Quanto a tendência de insumos de fertilizantes. “O país que é uma potência agroindustrial, não podemos ficar nessa situação. No passado, era o contrário, mais com o crescimento do agronegócio a situação se inverteu. Não teremos autossuficiência absoluta, mais temos que trabalhar nessa diminuição da importação”, disse, concluindo sua fala.

João Paulo, retomando a palavra, perguntou aos expositores qual é a perspectiva da Yara em reverter essa dependência de nitrogenados.

O prefeito Paulo Piau comentou que muito esforço foi feito para substituir importação e que os Nitrogenados nunca foram bem aceito. Que, no caso, fertilizantes não é core business da Petrobras e que nada foi feito depois que a empresa decidiu hibernar esse negócio. “Então, procuramos a FGV para avaliar a viabilidade desse projeto e o estudo revelou que o projeto é altamente viável para fábrica de amônia e ureia”. Admitiu que o gasoduto de São Carlos para Uberaba é uma possibilidade. Temos que atrair investimentos privados tanto na planta, quanto no gasoduto. O preço do gás natural viabiliza a produção de amônia e ureia.  A segunda fase depende de 3 milhões para desenvolver tecnologia e entregar ao investidor. “Se houver empresa interessada, acho que há um pré-estudo que sinaliza positivamente, falou Paulo Piau.

Leonardo Silva, vice-presidente de Produção da Yara Brasil, disse que há uma sinalização de que haverá esforço para redução da dependência. “Somos o único produtor de amônia (nitrogenados) do país. O gás no Brasil é cinco vezes mais caro do que outras operações no globo. Temos que garantir o gás a pelo competitivo. Tem-se que dar segurança jurídica e fiscal aos investimentos. Hoje, para se investir, se compara com a concorrência dos importados, pois para ser sermos competitivos se requer uma isonomia. Hoje estamos focados e assim que tenhamos um horizonte, estaremos efetuando novos investimentos”, comentou.

João Paulo perguntou como o “Convênio 100” impacta no Setor. Silva afirmou que “em se tratando de questões tributárias no Brasil, quanto mais simples, melhor. Indagou por que subsidiar a indústria estrangeira, quando se tem players para competir nesse setor, como alternativas nacionais de alta qualidade que podem acelerar a produção? Redução de base de cálculo de ICMS é subsidiar essa produção. Como vamos nos estruturar no pós-pandemia? Como se dá benefícios fiscais que se somam ao Custo Brasil e outras questões que privilegiam a importação? Vale mais a pena exportar e transformar no exterior para trazer de volta com incentivo nacional a essa importação. Temos que corrigir essas distorções e estruturar o ambiente regulatório, fiscal tributário”.

Antonio Meireles, diretor de Relações Governamentais da Mosaic, destacou que tem trabalhado em como melhorar a competitividade aos níveis internacionais. Que o Brasil é tomador de preço e quem está produzindo aqui não pode ter ineficiência. Tem-se que buscar de ganho de competitividade. Um elemento chave é a logística para se ter um posicionamento das operações. Minas Gerais tem posição estratégica em termos regionais, mas os custos tributários pesam. A questão tributária se destaca. O INDI e o governo de Minas têm trabalhado, mas para o setor dar o grande salto é buscar um sistema simplificado numa política de ICMS. O Convênio 100 isenta o produto importado, Minas oferece um mecanismo de incentivo. O grande salto virá com a modificação do Convênio 100.

Azevedo voltou a comentar que a empresa tem um investimento realizado de 30 milhões e que investirá mais 10 milhões nesses anos. “Estamos investindo 5 milhões agora com ampliação da fábrica para uma escala de 400 mil toneladas. Vamos investir em energia solar. A aceitação do produto tem sido muito boa. Os grandes compradores têm aceitado o produto que é novo”, concluiu.

Veloso afirmou que o mineral-minério aproveitado pela empresa já é utilizado há mais de 200 anos como fonte de fertilizante (K-fort). No Brasil, os próprios agricultores têm nos ajudado no desenvolvimento de mercado, por meio de “boca a boca”. Que a empresa tem investido em desenvolvimento tecnológico. “Ao longo desses anos desde 2008, iniciamos nosso trabalho, investimos 280 milhões de reais. O processo limpo sem barragens de rejeito”, concluiu o seu comentário.

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