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05 de outubro | 16:09

Mineração no Pará demandará cada vez mais contratação de técnicos de nível médio

Com a expansão da economia mineral no Pará, as empresas do setor precisarão, cada vez mais, de técnicos de nível médio. A formação destes profissionais precisa ser planejada e executada como uma das estratégias de desenvolvimento socioeconômico para o Estado, que tem na atividade de mineração uma das suas mais importantes cadeias produtivas.

A afirmação é de João Francisco de Menezes Neto, autor do livro “O Técnico de Nível Médio na Mineração: perfil socioeconômico e trajetória profissional”, que foi resultado da sua tese de dissertação de mestrado no Instituto Tecnológico Vale (ITV). Na publicação, ele analisou o perfil socioeconômico e a trajetória social dos ocupantes destes cargos em uma mineradora que atua nos municípios de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Marabá, no período de 2006 a 2011.

No estudo, Neto buscou compreender se a estratégia de empregabilidade que consistiu em fazer um curso profissionalizante e ingressar numa carreira profissional técnica está associada à sua origem social, e se foi bem sucedida no sentido de melhorar as condições sociais herdadas por estes empregados em relação aos seus pais e familiares, inclusive com ascensão a outra classe social.

“Trabalhei no segmento de Mineração por mais de 25 anos, principalmente no processo de Gestão de Pessoas, com participação na implantação de vários projetos vinculados a exploração de Minério de Ferro; Cobre; Níquel e Carvão; projetos estes desenvolvidos geralmente em áreas remotas no Brasil e Moçambique, assim, tive uma forte convivência com o desafio de prover profissionais especializados para estes projetos”, declarou, em entrevista realizada por e-mail para a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) na quarta-feira (3).

De acordo com ele, a mineração é uma atividade que absorve de forma intensiva profissionais operacionais e técnicos de nível médio. “Por exemplo, na empresa que apliquei a pesquisa, 54% do efetivo eram profissionais operacionais e 37% técnicos de nível médio, ou seja, é um desafio atrair, captar, formar e contratar profissionais das áreas de influência dos projetos, visando melhorar a percepção positiva do projeto junto à comunidade e formalizar um legado concreto de emprego, renda e desenvolvimento econômico local para estas regiões e/ou municípios”, disse.

Questionado pela ABPM sobre as conclusões da análise, Neto destacou que, diante de uma realidade de grandes contrastes sociais, com tendências ao crescimento de tais contrastes em virtude do aumento populacional associado ao fenômeno migratório, as ações públicas e privadas de oferta de educação profissional e formação de técnicos de nível médio se mostram eficazes como geradoras de desenvolvimento, pois facilitam a oferta de empregos dignos, com boa remuneração e reconhecimento social.

“Outro ponto importante são os programas de formação e educação profissional que são ofertados pelas empresas mineradoras, pois funcionam como instrumentos de empregabilidade e como facilitadores do acesso ao mercado de trabalho, ou seja, estes programas devem ser estimulados e ampliados”, afirmou.

Para ele, outro item importante é a necessidade de se intensificar um diálogo mais sistemático, com o objetivo de tornar a mineração um instrumento eficaz de desenvolvimento sustentável regional, dentro de um modelo de governança que envolva o poder público, a sociedade civil e as empresas que participam da cadeia, com a inclusão da educação profissional e a formação de técnicos de nível médio como uma alternativa importante de ampliação de oportunidades e promoção de bem-estar social.

Em relação aos obstáculos que os técnicos de nível médio enfrentam hoje, Neto declarou que o principal é o amplo mobilizador pela realização de cursos superiores no Brasil. “Assim os técnicos deixam de investir em suas carreiras e no seu desenvolvimento profissional para realizar cursos superiores, os quais acabam agregando pouco em relação à empregabilidade e crescimento profissional, passando a ser mais um projeto de reconhecimento familiar e social”, declarou.

 

Segundo ele, é preciso divulgar amplamente as carreiras dos técnicos de nível médio e incentivar a realização de programas de formação de técnicos de nível médio, ressaltando a ampla alternativa da obtenção de empregabilidade, além da maior possibilidade de acesso ao mercado de trabalho.

“Em meu livro cito uma entrevista do empresário e navegador Amir Klink (2016) dada ao Jornal O Estado do Maranhão, na qual ele destaca que o Brasil precisa de mais escolas técnicas para aliar teoria e prática. Por exemplo, metade dos jovens de 15 a 19 anos na Alemanha faz Escola Técnica e não vai cursar nível superior. O brasileiro tem uma certa obsessão de fazer universidade. Na Suíça 80% dos jovens não querem fazer ensino superior porque o curso técnico é tão forte, a ponto de um técnico suíço ser mais competente do que um engenheiro sueco, norueguês ou brasileiro. No Brasil somente 6% dos jovens fazem curso técnico. É um número vergonhoso”, disse.

Livro

O livro de João foi lançado em agosto em São Luís (MA), e em setembro em Belém (PA). Ele também será divulgado em Natal (RN), Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG) até dezembro.

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