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31 de janeiro | 21:26

Mineradoras investem pouco em inovação transformadora, afirma Deloitte

As mineradoras da América Latina continuam investindo mais em inovação em resultados de curto prazo ao invés de iniciativas que garantam retornos sustentáveis em um tempo mais longo. A informação é de uma pesquisa da Deloitte, realizada com 17 empresas do setor em seis países da região.

Apesar do diagnóstico, as mineradoras latino-americanas demonstram interesse em se engajar mais em iniciativas de inovação incremental, que garantam ganhos em termos de mercados e de produtos, e também em fazer mais investimentos considerados "transformacionais" para o setor.

A pesquisa, intitulada de "Inovação em mineração - América Latina 2017" inclui grandes mineradoras e empresas de menor porte, as chamadas "juniors", além de fornecedores do setor, na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. O trabalho, feito em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), ouviu 17 companhias do setor e buscou comparar iniciativas de inovação na América Latina com o resto do mundo.

Na pesquisa, a inovação é vista de forma ampla, envolvendo diversos aspectos das atividades das empresas, desde a forma como produzem até as relações com as comunidades e com outros públicos de interesse.

"Inovação tecnológica é apenas uma das formas de inovar na mineração", diz André Joffily, sócio-líder da Deloitte para o setor no Brasil. "Quando você vai falar com o presidente de uma empresa [da indústria mineral], ele vai falar como inova no uso da água e na relação com as comunidades, por exemplo, daí a importância de ter uma visão multifacetada da inovação", afirmou Joffily.

O trabalho da Deloitte apresenta dez tipos de inovação na área mineral. "As empresas que se beneficiam mais da inovação são aquelas que conseguem perpassar um volume maior desses dez tipos de inovação", disse Joffily. A lista inclui o modelo de rentabilidade, rede de conexões para criar valor ao negócio, a estrutura e os processos da empresa, a performance e o sistema de produção, os serviços e os canais de mercado, a marca e a relação com públicos de interesse e os clientes.

De acordo com o executivo, a empresa começa a se diferenciar dos concorrentes pela forma como se envolve com as comunidades, como levanta recursos financeiros no mercado e como torna a sua operação logística mais eficiente.

Na pesquisa, as empresas disseram que, em média, 65% de seus investimentos em inovação são para o chamado "core", que inclui iniciativas para otimizar ativos, produtos e serviços existentes. E somente 14% dos investimentos, em média, são voltados para a inovação "transformacional", aquela que representa uma quebra de paradigma e que traz invenções novas para a indústria do setor.

Joffily disse, porém, que como meta as empresas demonstram interesse de ampliar de 14% para 23% o investimento em inovação "transformacional" na mineração na região. Na América Latina, as mineradoras "juniors" se mostram mais propensas do que as grandes companhias a investir nesse tipo de inovação.

No caso do Brasil, Joffily entende que o país segue na "superfície" da adoção da inovação transformadora no setor mineral. "Soluções tecnológicas e estruturais seguem sendo incorporadas pontualmente." O corte de custos e a redução de margens conduzidos pelas mineradoras, em cenário de redução de preços, limitaram a capacidade de inovar nos últimos anos. "Mas se o modelo atual não for repensado, a sustentabilidade de vastas porções desse mercado estará ameaçada", disse Joffily.

Walter Alvarenga, diretor-presidente do Ibram, disse que é necessário que o Brasil compreenda melhor a importância do setor mineral e que estimule as inovações por meio de apoios "consistentes" com a futura trajetória da política mineral brasileira. "As empresas industriais precisam compreender que a inovação pode ajudar a otimizar e a desburocratizar processos, além de reduzir custos futuros", afirmou.

Ele negou que a inovação seja só estimulada pelos preços: "Outras questões também impulsionam o investimento [em inovação] como o relacionamento com a comunidade, governança e, principalmente, um planejamento estratégico governamental de apoio às políticas de inovação ao setor, de forma que mostre uma rota a seguir, do que o país necessita naquele momento." As informações são do Valor Econômico.

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