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11 de novembro | 11:59

Perspectivas para novas ocorrências de minas diamantíferas em kimberlitos no Brasil

Confira, abaixo, o artigo de Eder Robson Passarinho, geólogo sênior e consultor independente, feito exclusivamente para a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM).

Em novembro de 2018, Salvador (BA) foi sede do 7º Simpósio Brasileiro de Geologia do Diamante, com a participação de grandes empresas do setor diamantífero, pesquisadores de instituições tais como CPRM, CBPM, Universidades, de países diversos como: Rússia, Alemanha, Canadá, África do Sul, Botswana, Portugal e Angola.

Os resultados obtidos no Canadá com as descobertas de corpos kimberlíticos mineralizados (Ekati, Gahcho Kue, Victor, entre outros), que posteriormente vieram a se tornar minas de classe mundial em razão dos teores, do preço do quilate dos diamantes e pela sua excelente qualidade, nos faz acreditar que ainda há muito a ser feito no Brasil, levando-se em consideração o modelo geológico das intrusões kimberlíticas sul africanas, aplicado na prospecção kimberlítica pela De Beers, BHP e Rio Tinto, nos últimos 30 anos. Este não resultou em descobertas que viessem a se tornar uma mina, considerando o vasto território brasileiro que engloba áreas cratônicas do São Francisco, do São Luís, Amazônico e Luiz Alves.

A infinidade de ocorrências de garimpos manuais e mecanizados que continuam a recuperar grandes pedras de diamantes com alta qualidade e coloridas na região do Triângulo Mineiro (Rios Paranaíba, Santo Inácio, Douradinho, Santo Antônio das Minas Vermelha, Rio Preto e Bagagem), nos faz crer que muitas das intrusões kimberlíticas descobertas pela De Beers com aerogeofísica e sondagem, não foram avaliadas por serem inferiores a 5 hectares, ou mesmo pela interpretação de resultados de química mineral de minerais indicadores, baseado e um único furo de sondagem.

Nas últimas décadas, a prospecção kimberlítica ao redor do Globo evoluiu à medida que novas tecnologias foram disponibilizadas e aplicadas nos projetos de mineração, no campo da aerogeofísica e no processamento dos dados com o uso de novos softwares de aplicação geológica.

O aperfeiçoamento de técnicas e dos equipamentos de sondagem contribuiu substancialmente para a redução dos custos da perfuração, possibilitando a aplicação de malhas de sondagem de maior detalhe, com vistas a compreender melhor o modelo geológico da intrusão kimberlítica.

Também o uso de novas técnicas nas descrições petrográficas nos fácies kimberlíticos, veio a contribuir de sobremaneira para o entendimento da mineralização ao longo do pipe kimberlítico.

Neste cenário, vivencia-se também, uma modernização dos métodos de recuperação dos diamantes extraídos de rochas kimberlíticas, primeiramente com o uso de DMS e atualmente com o uso do XRT,  recuperando até 98 e 99% dos diamantes acima de +4 mm.

Para que ocorresse o desenvolvimento da primeira mina de diamante primário das Américas no kimberlito Braúna, foi necessária a aplicação de métodos e ferramentas utilizadas na descoberta dos kimberlitos que vieram a se tornar minas no norte do Canadá. Lá foram realizadas novas campanhas de aerogeofísica e terrestre; sondagem de detalhe; estudos petrográficos para definição dos litotipos recuperados, sendo possível definir os fáceis da intrusão; novas análises de química mineral dos indicadores kimberlíticos; análise para micro diamantes dos diversos fácies da intrusão; finalmente executou-se um programa de bulk sample dos fácies com as melhores características petrográficas e excelente química mineral, para recuperação de macro diamantes, sendo possível definir os teores por fácies e preço dos quilates.

Por fim, o grande desafio para uma nova janela de oportunidades na prospecção Kimberlítica no Brasil, será o convencimento de novos investidores a empreenderem em áreas prospectadas pelas Big Companies: De Beers, Rio Tinto e BHP, onde foram realizados inúmeros trabalhos na prospecção de diamantes. O esforço na implementação de mudanças conceituais que resultaram na recente viabilidade da mina Braúna na Bahia pela Lipari, aliado aos resultados obtidos no norte do Canadá (Gaúcho Kue, Tuzo, Victor, Kelvin e Faraday), demonstram o enorme potencial futuro do Brasil no cenário internacional dos diamantes extraídos de kimberlitos.

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