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17 de dezembro | 15:22

Pesquisa Mineral retoma atividade “a todo vapor” no Brasil

Principal esteio da cadeia produtiva da mineração, a pesquisa mineral visa a descoberta de jazidas minerais, permitindo o seu aproveitamento econômico e mitigando o risco de investimento

O reconhecimento pelo Governo, em meio à pandemia do Covid-19, de que a mineração é setor essencial para o país, assegurou a continuidade da atividade, ainda que arrefecida, o que impediu a desmobilização da produção. Com o passar dos meses, observou-se um processo de retomada de crescimento do setor, em decorrência do aumento da demanda, estabelecendo uma nova alta do preço de commodities. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a receita do segmento atingiu R$ 125 bilhões no período de janeiro a setembro. Esse valor representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período de 2019.

Para a consultoria internacional S&P Global, de US$ 9,8 bilhões investidos em 2019 pela iniciativa privada em projetos de pesquisa mineral de não ferrosos, apenas 3%, cerca de US$ 294 milhões, foram direcionados para o Brasil. No comparativo com Austrália e Canadá, o país possui a menor atratividade de investimentos em pesquisa mineral. 

Mas essa realidade pode estar começando a mudar. Apesar do cenário turbulento e incerto marcado pela pandemia da Covid 19, condição que dominou o ano e abalou a economia mundial, o setor mineral brasileiro surfa uma onda de otimismo, que não é vista desde o boom das commodities nos anos 2000, quando a demanda por petróleo e metais de economias emergentes como China e Índia fizeram o preço desses produtos subir de maneira consistente. 

Pesquisa Mineral - Um termômetro que atesta esse momento de otimismo que vive o setor é a elevação dos dispêndios em pesquisa mineral no país.  A pesquisa mineral visa a descoberta de jazidas cujas dimensões, formato e teores permitem o aproveitamento econômico da substância mineral de interesse. É a pesquisa mineral que mitiga o risco do investidor e orienta a tomada de decisão de se investir.

Para Walid Khaoule, da Servitec Foraco, empresa prestadora de serviços de sondagem geológica, com expertise em perfuração de diferentes tipos de rochas, que possui cerca de 700 colaboradores, “o setor mineral teve um ano bem-sucedido, como não se via desde 2012”. Outro fator responsável pelos resultados do setor este ano, segundo Khaoule, foi a alta do preço de commodities. João Luiz Carvalho, vice-presidente da ABPM e presidente da Geosol, empresa que lidera o segmento de sondagens no Brasil, avalia que após um breve período de desaceleração e, em alguns casos, de suspensão nas atividades de pesquisa mineral no começo da pandemia em março, diversos projetos tiveram o ritmo retomado e, em muitos casos, aumentado.

“Os preços do minério de ferro e do ouro tiveram boas valorizações em 2020 o que permitiu a retomada das atividades de exploração mineral. Nossa taxa de ocupação dos equipamentos de sondagem e perfuração também cresceu. A Servitec Foraco já alcança 75% de capacidade de produção e para 2021 nossa meta é estar entre 80 e 85%”, destaca Khaoule, acrescentando que o ouro responde por 72% dos serviços da empresa. São 90 sondas, com produção total acumulada superior a 4,3 milhões de metros. A Servitec Foraco, de acordo com Khaoule, realiza atividades por todo território nacional, com ênfase nos estados de Goiás, Pará, Bahia e Ceará.

Khaoule afirma que a Servitec Foraco realiza diversos serviços incluindo sondagem rotativa diamantada em superfície e em subsolo, sondagem em furos profundos maiores que 2 mil metros e sondagem rotopercussiva com circulação reversa de ar, além de perfuração para poços de água com um total acumulado superior a 4,3 milhões de metros.

Essencialidade – João Luiz de Carvalho aponta que a decisão do governo em reconhecer a mineração como atividade essencial possibilitou que a empresa mantivesse, a partir de julho, os níveis de atividade pré-pandemia, observando os protocolos sanitários e os indicados pelos clientes, ambos seguindo orientações das autoridades. 

“2021 já se mostra mais promissor em termos de volume de serviços em relação a 2020, em virtude dos preços atuais das commodities minerais e da manutenção da taxa cambial. O que se faz necessário é o equilíbrio dos preços da prestação de serviços no Brasil, ainda muito defasados em relação ao mercado global”, afirma o executivo da Geosol. 

Carvalho conta que a Geosol tem desenvolvido trabalhos relacionados à pesquisa mineral com maior intensidade principalmente no Pará, Amapá, Minas Gerais, Maranhão, Bahia, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo que minério de ferro, ouro, cobre, fertilizantes, níquel, vanádio e bauxita são as substâncias minerais mais pesquisadas. Para a Servitec Foraco, de acordo com Khaoule, Goiás, Pará, Bahia e Ceará são os estados mais demandantes dos serviços da empresa, embora realize também atividades por todo território nacional.

O executivo da Geosol João Luiz explica que os serviços mais demandados pelos clientes são sondagem rotativa diamantada para pesquisa mineral, sondagem rotopercussiva em circulação reversa, perfuração de poços tubulares e piezômetros, além de análises geoquímicas e ambientais e ensaios metalúrgicos. Khaoule afirma que a Servitec Foraco realiza, entre diversos outros, serviços de sondagem rotativa diamantada em superfície e em subsolo, sondagem em furos profundos maiores que 2 mil metros e sondagem rotopercussiva com circulação reversa de ar, além de perfuração para poços de água.

Segundo Carvalho, as empresas que mais têm contratado esses serviços são as major companies com capital nacional e estrangeiro, com minas em produção no Brasil. Em seguida aparecem diversos projetos greenfield, alguns em fase de implantação, conduzidos por empresas de médio porte e junior companies. Ele projeta crescimento do faturamento da empresa  em  2020 na ordem de 8%  em relação a 2019.

“Quase a totalidade das empresas estão listadas nas principais bolsas de valores do Brasil, Nova York, Toronto, Vancouver, Sydney e Londres. Grande parte dos recursos investidos em pesquisa são oriundos de Capex e Opex de grandes mineradoras e de investidores estrangeiros por meio de captação de recursos nessas bolsas”, explica Carvalho. 

Cenário - Em se tratando de Brasil, um país de dimensões continentais cujo território ainda é desconhecido em termos de geologia, é esperado que novos projetos sejam anunciados. “A mineração brasileira é destacada mundialmente pela sua excelência tecnológica e pela qualidade de seus profissionais. Diversos projetos, cuja exploração já estava em fase de descomissionamento, estão sendo retomados, como minas de ferro, cobre, ouro e níquel, ampliando suas vidas úteis. Também é necessário retomar as discussões sobre as chamadas áreas com restrições como Faixas de Fronteiras e terras indígenas”, diz Carvalho, admitindo a complexidade dos temas, com enorme exposição na mídia, mas que precisam ser debatidos pela sociedade.

Para o executivo da Servitec Foraco,Wallid Khaoulle o ambiente geológico brasileiro é extremamente favorável à exploração mineral. “Não faltam oportunidades, e nossa terra é muito rica”, afirmou, destacando que a empresa realiza atividades principalmente em ambientes arqueanos e terrenos antigos, onde há concentração de metais não ferrosos e greenstone belts.

O vice-presidente da ABPM, João Luiz Carvalho, acredita que, para melhorar o ambiente de negócios em da pesquisa mineral no país, é necessário linhas de crédito para empresas do setor. “Existe uma grande dificuldade de linhas de créditos com foco em investimentos voltados para empresas de mineração, que precisam renovar a frota de equipamentos e veículos ou para aquisição de insumos, visto que grande parte dos custos estão atrelados ao dólar. Pelo lado dos investidores, a criação de uma instituição para financiamento de pequenos e médios projetos de mineração, instituindo mecanismos que estimulem a atração de capital local e estrangeiro, a exemplo das bolsas canadenses e, australianas, desta forma daria um forte impulso ao setor, pois o que não faltam no Brasil são empreendedores e potenciais projetos”. 

Para Khaoule, o cenário da mineração no Brasil começou a apresentar perspectivas positivas a partir de 2017, com mudança de posturas governamentais e atração de capital estrangeiro. “No entanto, o maior problema é a falta de previsibilidade para investimentos no setor mineral brasileiro. O capital não consegue se manter aqui e acaba indo embora”, opinou o executivo, acrescentando que as regras de regulamentação e orientação para a atividade mineral precisam ser mais claras, a fim de evitar embates entre legislações governamentais e do Congresso.

Segundo Carvalho, diversas empresas ligadas à mineração vêm melhorando suas operações com adoção das novas tecnologias da Indústria 4.0 e no setor de pesquisa mineral não poderia ser diferente. “Equipamentos com mais autonomia, melhor qualidade na veiculação dos dados de campo e pessoal mais treinado em tecnologia serão um diferencial para quem quiser se manter em atividade,” conclui o vice-presidente da ABPM.

 

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