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27 de novembro | 20:36

Presidente do Conselho Consultivo da ABPM discute cenário da exploração mineral no Brasil durante Exposibram

O presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Elmer Prata Salomão, participou, na tarde desta quinta-feira (26), do painel Pesquisa Mineral no Brasil: quo vadis?, parte da programação da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração 2020 (Exposibram 2020), realizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração. Estiveram ao lado do presidente do Conselho Lilia Sant’Agostino, Secretária Adjunta do Ministério de Minas e Energia (MME); Márcio José Remédio, Diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM); Owen Hatton, Geólogo Principal da OZ Minerals, e Paulo Fernando Ravacci Pires, Gerente de Exploração da NEXA Resources.

 

Salomão destacou, em alguns pontos, o cenário da exploração mineral no Brasil. Para ele, um dos grandes problemas está na alta concentração na produção do minério de ferro. “As jazidas de alto teor, com as estatísticas que temos hoje e com as reservas disponíveis, são 32 bilhões de toneladas em um input superior a 450 milhões de toneladas/ano”, expôs. “Em pouco mais de 60 anos, teremos esgotado nossas reservas de minério de ferro de alto teor. Teremos que nos organizar para suprir 67% da nossa produção mineral”, previu o presidente. O minério de ferro de baixo teor, observou, exige beneficiamento, pelotização e transporte. “Teremos que competir com países muito mais próximos do nosso principal mercado, a China. E não sabemos quando a urbanização chinesa e, portanto, sua necessidade de ferro, vai diminuir”, avaliou, ressaltando a necessidade de desenvolver novas jazidas e minas para diminuir essa dependência e manter o Brasil como um player internacional no longo prazo.

 

O presidente do Conselho também abordou capitais de risco, chamando a atenção para o fato de o Brasil não possuir mecanismos de mobilização, como outros países. “Os investidores nacionais não têm demonstrado aptidão para investimento, ainda dependemos da exploração mineral do capital estrangeiro”, observou. Segundo dados do boletim do setor mineral, citou Salomão, apenas cerca de 20% dos investimentos previstos para o setor até 2025 será feita por empresas com controle acionário nacional. “Temos uma dependência enorme, precisamos melhorar nosso ambiente para recepcionar melhor os capitais externos.”

 

 

Outro ponto levantado por Salomão foi a preferência por investimentos em projetos brownfield. Os capitais estrangeiros dispostos a vir pro Brasil, argumentou, seguem a tendência internacional de investir em projetos avançados. “As grandes casas de mineração concentram-se em projetos brownfield, de estágio já avançado, ou seja, no entorno de suas próprias minas, com raros casos de exceção”, afirmou. “É cada vez mais difícil encontrarmos investimentos em projetos greenfield”, completou Salomão.

 

De acordo com o presidente do Conselho, a maioria das empresas brasileiras de mineração são pequenas e médias e padecem, naturalmente, da escassez de recursos para explorar. Além disso, continuou, em termos de atratividade, segundo o Fraser Institute, o Brasil está em 46° lugar entre 76 jurisdições pesquisadas. “É preciso melhorar nosso ambiente para o capital estrangeiro”, reforçou Salomão, acrescentando que o setor mineral sofre também com o tempo de licenciamento mineral e ambiental dos projetos. 

 

Por fim, Salomão comentou a exploração mineral no mundo, ressaltando que a comparação com o contexto brasileiro é complicada, embora importante. “De acordo com o relatório World Exploration Trends da S&P Global Intelligence, US$ 9,8 bilhões foram investidos em 2019 em exploração mineral. 50% disso basicamente em ouro, mantendo tradicional expectativa no mundo”, apontou. Observando os dados por natureza de projeto, continuou, 36% desse valor foi investido no entorno das minas e mais 33% em projetos avançados. “Ou seja, quase 70% do orçamento internacional foi para projetos brownfield. Na exploração de greenfield foram aplicados US$ 2,5 bilhões, o que corresponde a 25% da receita total.” Por tipo de empresas, Salomão destacou que as majors somam US$ 9,45 bilhões (51% do orçamento internacional), enquanto as médias acumulam US$ 2,8 bilhões (28%). “As junior, por sua vez, respondem a US$ 1,07 bilhão, 11% do valor. Isso reflete a dificuldade que as pequenas empresas estão tendo em se capitalizar para projetos greenfield”, finalizou. 

 

 

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