ABPM participa do Café com a Indústria para debater futuro dos minerais críticos no Brasil

Miguel Nery, diretor executivo da ABPM defendeu atração de investimentos para pesquisa mineral durante encontro promovido pela ABDI, em Brasília.

Miguel Nery  destacou que  é  fundamental que a política de minerais críticos aprovado no Senado permita a atração de investimentos para a pesquisa mineral.

O Brasil tem uma oportunidade estratégica de transformar sua diversidade geológica em novos projetos minerais e cadeias industriais, mas, para isso, precisa ampliar a atração de investimentos para pesquisa mineral e criar condições para que as descobertas avancem até a produção, o processamento e a inserção no mercado.

O tema esteve no centro do Café com a Indústria, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília, que reuniu representantes do governo, da mineração e do setor produtivo para discutir oportunidades e desafios relacionados ao desenvolvimento da cadeia de minerais críticos no país.

O gerente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Miguel Nery, participou do painel “Minerais críticos no Brasil: recursos, investimentos e desenvolvimento da cadeia” e destacou que a pesquisa mineral precisa ocupar posição estratégica na construção dessa agenda.

Para Nery  é  fundamental que a política de minerais críticos aprovado no Senado conduza para o desenvolvimento de instrumentos que permitam a atração de investimentos, que deve repercutir tanto para a pesquisa mineral quanto para a agregação de valor”, afirmou.

Segundo o gerente-executivo da ABPM, o desenvolvimento da cadeia também depende da existência de mercado para absorver a produção dos novos projetos.

“É fundamental que o minerador ou a empresa de mineração, ao desenvolver os seus prospectos e implantar sua mina, tenha a quem vender o seu produto, seja aqui no Brasil, seja para exportar”, disse.

Na avaliação de Nery, sempre que houver condições econômicas e competitivas para realizar etapas adicionais de processamento e transformação no Brasil, o país poderá capturar uma parcela maior do valor gerado por seus recursos minerais.

“Se esse produto para exportação já puder ter um valor agregado por alguém que compre o bem mineral aqui, agregue valor e transforme esse bem mineral, sem dúvida nenhuma é fundamental para o país, agregando valor, emprego e renda”, afirmou.

Para Noleto, aproveitar essa oportunidade exige desenvolver cadeias produtivas que permitam ao Brasil avançar no processamento e na industrialização de suas matérias-primas.

Integração entre mineração e indústria

O presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou que o momento internacional abre uma oportunidade relevante para o Brasil diante da dimensão de suas reservas e do aumento da demanda mundial por minerais considerados estratégicos.

“O Brasil vive um momento muito importante, tem um potencial gigantesco pelas suas reservas, pelo momento que o mundo vive, pela necessidade de minerais considerados estratégicos”, afirmou.

Para Noleto, aproveitar essa oportunidade exige desenvolver cadeias produtivas que permitam ao Brasil avançar no processamento e na industrialização de suas matérias-primas.

“Entendemos que apoiar cadeias produtivas no sentido de elas poderem processar, industrializar essa matéria-prima brasileira é fundamental. Isso não é um processo simples. Requer muito estudo, muito planejamento, investimento e muita capacidade de articular o setor público e privado”, disse.

Segundo o presidente da ABDI, a agência pretende contribuir para essa articulação por meio da produção de inteligência, da aproximação entre diferentes atores e do desenvolvimento de projetos estratégicos.

“A ABDI mais uma vez trabalha para estreitar os laços, conectar as pontas e produzir mecanismos concretos que possam acelerar esse processo”, afirmou.

Política pública e instrumentos financeiros

O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, ressaltou que uma política para minerais críticos precisa estar associada à industrialização e à agregação de valor.

Segundo Moreira, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos contempla instrumentos destinados a estimular investimentos e aproximar a produção mineral das etapas posteriores das cadeias produtivas.

“Cria simultaneamente instrumentos financeiros para estimular a agregação de valor à transformação mineral, tanto o fundo garantidor como os benefícios fiscais para estimular o investimento e a agregação de valor”, afirmou.

Para o secretário, o objetivo é fazer com que a riqueza mineral brasileira produza efeitos mais amplos sobre a economia e a sociedade por meio da agregação de valor e do desenvolvimento de novas atividades industriais.

Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira

Brasil pode ocupar espaço estratégico nas cadeias globais

Moderador do painel, Jorge Boeira, analista de Produtividade e Inovação da ABDI e mestre em Geociências, destacou que a construção de uma política nacional representa um primeiro passo de uma agenda que ainda precisará avançar na regulamentação e considerar as especificidades econômicas da atividade mineral.

“Há um consenso de que a nova Política Nacional de Minerais Estratégicos é um primeiro degrau que a gente precisa avançar”, afirmou.

Para Boeira, o desenvolvimento das novas cadeias depende também da existência de uma indústria brasileira capaz de consumir os materiais produzidos no país.

“A gente precisa criar indústrias que tenham capacidade para consumir esses componentes baseados em minerais e materiais de origem mineral e que isso crie um mercado doméstico importante para garantir economicidade de novas plantas de refino e manufatura desses materiais”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o Brasil precisa buscar escala e competitividade internacional. Para Boeira, a reorganização das cadeias globais de suprimento e a busca por maior diversificação de fornecedores abrem uma janela de oportunidade para o país.

“Hoje há uma demanda muito grande por diversificação de fornecedores desses tipos de materiais. Então, acho que o Brasil pode aproveitar esse momento geopolítico para se posicionar como um porto seguro para esse tipo de avanço na cadeia minero-industrial”, afirmou.

O painel contou ainda com a participação de representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB) e da Associação de Minerais Críticos (AMC), ampliando o debate sobre pesquisa mineral, investimentos, processamento, industrialização e desenvolvimento das cadeias de valor.

Para a ABPM, a construção de uma estratégia brasileira para minerais críticos passa necessariamente pelo fortalecimento do primeiro elo dessa cadeia: a pesquisa mineral. A ampliação do conhecimento geológico, combinada a instrumentos capazes de atrair capital para exploração e desenvolvimento de projetos, é condição para transformar o potencial mineral brasileiro em novas minas, investimentos, empregos, renda e oportunidades de industrialização.

 

Share This Story, Choose Your Platform!